Sobre o Cientista
Filho do engenheiro francês Henrique Dumont e da brasileira Francisca de Paula Santos, nasceu em Minas Gerais, na região do município de Palmira – que, em 1932, teve seu nome alterado para Santos Dumont. Passou a infância em São Paulo, onde o pai administrava uma fazenda de café, e mudou-se para Paris aos 18 anos. Na capital francesa, estudou física, química, mecânica e eletricidade; motivado por seu interesse pela aeronáutica, aprendeu a pilotar e projetar aparelhos voadores. Em 1898, levantou voo com o balão Brasil, leve, menor e mais estável que os similares da época. No mesmo ano, construiu seu primeiro dirigível, que inaugurou com sucesso o uso de motor a petróleo. Após anos de experiências com balões e dirigíveis, passou a se dedicar aos aviões. Em outubro de 1906, realizou o primeiro voo no 14bis, com o qual conquistou, no mês seguinte, os primeiros recordes mundiais reconhecidos pela Federação Aeronáutica Internacional. Foi eleito em 1924 para a Academia Brasileira de Ciências, na seção de Ciências Físico-Químicas.

Uma vida no ar
Figura fundamental na história da aviação, Alberto Santos-Dumont desenvolveu muito cedo o interesse pelo campo, sob influência de obras que abordavam a locomoção aérea – como os escritos do astrônomo Camille Flammarion e os romances de Julio Verne. Partiu para a experimentação e, em pouco tempo, desenvolveu competências não apenas na arte de voar, mas também na construção de motores, na introdução de materiais e no desenvolvimento de novas configurações para aparelhos por ele projetados.
No fim dos anos 1890, manteve-se imerso na construção de balões e dirigíveis, propondo alterações que os tornaram capazes de alcançar maiores altitudes e tempos de voo mais longos. A bem-sucedida participação em concursos promovidos por aeroclubes chamou a atenção do mundo para o jovem inventor. Em 1901, ganhou o prêmio Deutsch de La Meurthe, no valor de 100 mil francos, por completar o percurso de ida e volta ao Parque de Saint-Cloud, contornando a Torre Eiffel, em até 30 minutos. Os projetos de dirigíveis, que geravam admiração e também críticas, principalmente por sua fragilidade, evoluíram aos primeiros protótipos de mono e biplanos.
Em 1906, iniciou os primeiros ensaios com um novo aparelho, um biplano unido a um balão de hidrogênio, batizado de 14-bis. A intenção foi concorrer à Taça Archdeacon, destinada ao primeiro voo controlado de mais de 25 metros, sem qualquer auxílio externo. No mês de outubro, após algumas tentativas frustradas, Santos-Dumont atravessou 60 metros do campo de Bagatelle, em Paris. Em 12 de novembro repetiu o feito, dessa vez por 220 metros, e provou ser possível construir uma aeronave mais pesada que o ar capaz de decolar e voar.
Patrono da aeronáutica brasileira, título concedido em 1984 por lei federal, Santos-Dumont recebeu inúmeras homenagens no Brasil e no exterior. Em 1973, o Comitê de Nomenclatura da União Astronômica Internacional deu o nome de Santos-Dumont a uma das crateras da Lua.

Inventos de Santos-Dumont
Embora a execução do primeiro voo completo de um avião seja considerada como o grande feito de Santos-Dumont, é de sua autoria uma série de inventos que vão além de suas experiências com aparelhos voadores. Entre eles, a projeção de um relógio de precisão para ser usado no pulso, elaborado em parceria com o joalheiro Louis Cartier, no ano de 1904. Para sua casa em Petrópolis (RJ), desenvolveu um chuveiro de água quente com aquecimento a álcool. Criou também um esqui mecânico para escalar montanhas de gelo, uma de suas últimas invenções.
