Sobre o Presidente

Francês, naturalizado brasileiro, Henrique Após uma curta temporada em São Paulo, estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde estudou engenharia industrial. Em 1885, ingressou no Imperial Observatório do Rio de Janeiro, onde se tornou astrônomo e do qual, em 1908, assumiu a direção. Junto a outros pesquisadores, participou de comissão responsável por demarcar o local apropriado para a nova capital federal. Lecionou física na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, a mesma onde estudou engenharia. Foi fundador e primeiro presidente da ABC, cargo que exerceu por três mandatos consecutivos. Foi também o primeiro presidente da Rádio Sociedade, tendo participação ativa em sua criação. Fez parte de diversas sociedades e academias. Em 1919, ainda como diretor do Observatório, chefiou a missão brasileira para a observação e o registro fotográfico do eclipse total do Sol em Sobral, no Ceará. A expedição teve papel importante na comprovação da Teoria da Relatividade de Albert Einstein.

Henrique Morize e a mulher, Rosa Ribeiro dos Santos, em sua primeira residência em Salvador, Bahia (1919). (Acervo ABC).

Morize e o eclipse solar

Henrique Morize foi um dos principais articuladores à frente da fundação da ABC. Não à toa, assumiu a primeira presidência da entidade, mantendo-se no cargo por uma década e contribuindo significativamente para a sua implementação. 

O pesquisador foi um grande defensor da ciência pura, desinteressada de objetivos comerciais, financiada pelo governo. Nesse sentido, buscou assegurar o desenvolvimento da pesquisa básica nas instituições onde atuou, bem como disseminar sua importância entre a comunidade científica, as autoridades políticas e a sociedade brasileira de maneira geral. 
Como presidente da ABC e diretor do Imperial Observatório do Rio de Janeiro (atual Observatório Nacional), teve participação importante em um dos mais relevantes acontecimentos científicos de sua época. Em 1919, líder de uma comitiva de cientistas brasileiros em Sobral, no Ceará, ajudou a escolher o melhor lugar para a observação do eclipse solar total que permitiu a confirmação do fenômeno da deflexão da luz, previsto por Albert Einstein e elemento-chave da sua Teoria da Relatividade. Seis anos depois, em 1925, conheceria Einstein pessoalmente, durante a estadia do físico alemão no Rio de Janeiro. 

Morize teve papel de destaque em diversas áreas vizinhas à física e à astronomia, tendo iniciado as pesquisas de sismologia no Brasil. Estudou questões de geodésia e investigou o campo elétrico da atmosfera do Rio de Janeiro. Deu também importantes contribuições à meteorologia, em particular na organização da rede nacional de estações meteorológicas.

Sua extensa produção, que inclui artigos, resenhas, livros e discursos, reflete a preocupação em fortalecer o interesse pela ciência no Brasil. Parte dela, sobretudo os escritos produzidos nas duas primeiras décadas do século XX, aborda temas gerais da astronomia, descritos para o público não-especializado. 


Observatório Nacional, do qual Morize foi diretor (Carlos luis m. c. da cruz)
charge na capa de o malho (13/10/1923) homenageia o cientista. (acervo biblioteca nacional)